domingo, abril 11, 2010

quinta-feira, março 18, 2010

A SESTA



Texto escrito por mim em abril de 1982 e publicado na edição de março de 2010 da revista acima.


Maria olhava para aquele ambiente amarelo-cinza a sua frente. Passava um pouco do meio dia e ela sentia aquela preguiça que sempre lhe tomava o corpo depois do almoço. Estava sentada, como sempre fazia naquele horário, debaixo de um velho pé de cedro em frente à sua casa. O tempo estava quente e abafado, mas vez ou outra a brisa balançava as altas galhas da árvore e lhe refrescava o calor. A claridade do espaço amarelo-cinza agredia-lhe os olhos. Não se via nada verde. Os poucos tons de ocre esverdeado que iam substituindo o verde deixado pela chuva, também já haviam sido devorados pelo amarelo-cinza. Junto com a sensação de exaustão e abandono causada por essa tonalidade e pela temperatura quente e abafada, Maria sentia uma espécie de secura e esvaziamento por dentro que lhe davam a impressão de que a qualquer momento ela iria deixar de existir. Olhou o céu. O azul pendia mais pro cinza-arroxeado: uma cor intensa, agressiva e opressora. Nenhuma nuvem. A claridade e intensidade daquela cor parada, morta lhe fizeram franzir os olhos. Maria bocejou. Suas pálpebras pesavam e a agradável sonolência dominava cada vez mais o seu corpo. Olhou e sorriu para os pequenos arbustos secos e retorcidos que se espalhavam pelo terreiro de sua casa.
Vez ou outra ouvia os movimentos da sua mãe dentro de casa. Naquele horário do dia Maria sentia-se quase particularmente feliz. Era um momento que ninguém a perturbava. Era um momento em que ela podia ficar sozinha, dedicar-se a si mesma e remexer em suas memórias em suas idéias e em seus sonhos. Era um momento só seu onde ela podia ser ela mesma ou quem quisesse. Depois desse momento de auto-dedicação, Maria voltaria para uma rotina menos agradável: lavar a louça, varrer os terreiros da casa, dar comida aos porcos e lavar algumas peças de roupa.
Não mais resistindo ao sono Maria passou a mão pelo chão afastando alguns galhos caídos e se acomodou deitando-se. Suas pálpebras se fecharam e ela dormiu. Dormiu o seu sagrado sono de depois do almoço. Mais tarde seria acordada pela cadelinha do seu pai. Ela lhe lamberia as faces e se deitaria ao seu lado até que se levantasse e fosse para dentro de casa cuidar das tarefas.
Maria sonhou. Um sonho simples sem grandes pretensões:
sonhou que a cadelinha do seu pai, era sua irmã. E no seu sonhou verificou que eram muito parecidas. No sonho, brincavam como faziam acordadas, à margem do riacho seco. Brincavam de cobrir com os dedos as inúmeras linhas deixadas pelas rachaduras da terra seca. Maria ficava encantada com aquelas rachaduras, pois formavam desenhos engraçados e estranhos.  Tulipa – a cadelinha de seu pai - atravessava o riacho sobre as linhas e Maria admirava as voltas que seu corpo dava para conseguir acompanhar aqueles desenhos. A chuva era por demais boa e esperada por todos, trazia comida e água, mas levavam embora aquelas formas mágicas que faziam com que elas descobrissem figuras misteriosas. O consolo era que com a próxima seca, outros desenhos estariam lá para serem descobertos por elas. Maria não entendia como ela conseguia ver naquelas linhas tantas coisas conhecidas: vacas, galinhas, árvores, porcos. Acreditava que algum ser misterioso desenhava aquelas coisas para ela e Tulipa descobrirem. Aquilo era um mistério para Maria.
Acordou com Tulipa lhe lambendo o rosto. Sorriu para ela e a abraçou. Espreguiçou-se, olhou para o céu e levantou-se para mais uma tarde como todas as outras.

domingo, fevereiro 21, 2010

Partida

Publicado na Revista Cult Nº67, Ano 2003
Quando se olha para um trabalho que expressa uma manifestação artística, o que passa pelas nossas cabeças? Que emoção nos toma? Às vezes não conseguimos nos valer das palavras para expressar o que sentimos, de tão incapazes – apesar de serem sábias – que são as palavras diante um trabalho artístico. Rudolf Arnheim em seu livro Arte e percepção visual: Uma Psicologia da Visão Criadora diz que há um fundo de verdade, quando se afirmam que é impossível comunicar as coisas visuais através da linguagem verbal. Eu também acredito nisso. O homem é mais do que verbo, do que linguagem articulada. Há coisas que o homem sente e que o mundo das palavras é limitado para traduzir tais sentimentos. Há coisas que o cérebro percebe, os olhos veem, o coração sente, mas a boca não consegue falar.
Analisando este trabalho de Luciene Aguiar me peguei sem palavras para descrevê-lo. Até porque se isso fizesse, estaria limitando, rotulando, mensurando seu poder de expressão. Estaria limitando o trabalho à minha percepção, às fronteiras da tela, da moldura. Um desenho, uma pintura, não fica restrito ao seu suporte. Ele repousa ali, mas vai além, ele é absorvido pelo espectador e viaja com esse espectador e com ele permanece para todo o sempre ou não. Essa permanência ou não permanência vai depender do espectador, claro. O trabalho de Luciene permanece comigo. Ele me acompanhará para todo o sempre. Passeei pelo seu blog e apreciei todos os seus trabalhos, mas este me chamou particularmente a atenção. “Partida”. Uma Partida que fica conosco, que não nos abandona, mesmo deixando nossas cadeiras vazias, nossos corações remendados, nossas almas como colchas de retalho. Quem se encontrar com Partida, não mais partirá sem ela. É uma Partida que ficará sempre presente. “Partida” estava dentro de Luciene e ela, de forma singular, o expôs, pois segundo Max Ernst o papel do pintor é cercar e projetar o que dentro dele se vê.
Parabéns Luciene Aguiar. Você é muitíssimo criativa e talentosa. Pena que o Brasil é ainda muito verde para saber valorizar quem realmente tem talento.
Será que somos parentes? Beijos.

Adda Castelo Branco de Aguiar

terça-feira, agosto 04, 2009

Exposto na III Mostra Brasileira em Roma - Itália - Maio/2009

"Luciene, esta imagem retrata com bastante fidelidade cena ainda encontrada no interior do municipio de Caetité. Você reproduz com sensibilidade e beleza esse flagrante que, infelizmente, aos poucos vai-se desaparecendo do nosso cotidiano. Maravilha!!! "

Fernando Paiva

sexta-feira, maio 01, 2009

"Comentar séria redundância à impressão que esta tela me causou.Simplesmente magnífico. Me encontrei aqui. "
Nara Dantas Azevedo

domingo, fevereiro 15, 2009

quarta-feira, abril 02, 2008

Exposto no Museu da Cidade em abril de 2007
"Luciene,
esta figura de profundas marcas no rosto, guardando traços de uma beleza e encanto outrora presentes, cujas mãos encarquilhadas e ossudas denunciam quanto já trabalharam, diz-nos de uma realidde da qual não podemos fugir - a velhice! esta, aqui retratada de forma perfeita! "
Fernando Paiva

Exposto no Museu da Cidade em abril de 2007
Menção Honrosa no Salão Internacional de Artes Plásticas em 2007 realizado pela Academia Nacional de Artes Plásticas - ANAP

"Veja o que fazem os anos... percebem-se aqui os traços de um rosto que, no passado, certamente foi perfeito em beleza, entretanto, agora marcado pelo peso implacável do tempo. Creio que aqui você atingiu o ápice das suas produções nessa espécie - muito bom!"
Fernando Paiva

domingo, maio 06, 2007


Exposto no Museu da Cidade - Pelourinho - Salvador de 03 a30/04/2007.

Exposto no Museu da Cidade - Pelourinho - Salvador de 03 a30/04/2007.
Exposto no Museu da Cidade - Pelourinho - Salvador de 03 a30/04/2007.
"Este, retrata o semblante perfeito do homem sério, honrado, responsável e trabalhador do interior do nosso querido nordeste, especialmente da nossa região; o homem que não se decepciona com as chuvas que não vieram, mas, como bom sertanejo, acredita nas que virão! "
Fernando Paiva

O lavrador e a barriguda

Exposto no Museu da Cidade - Pelourinho - Salvador de 03 a30/04/2007.
"Olhe este... a figura notável do trabalhador da lavoura... cabra macho... caatingueiro, sempre disposto a enfrentar os desafios, que são tantos e tantos... Vive da fé e da inabalável esperança em dias melhores! Mesmo alquebrado em face do peso dos anos, não desanima nunca, nem ao morrer, pois quando pressente o fim, abrem-se-lhe as cortinas de uma eternidade auspiciosa! "
Fernando Paiva

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Papagaio

Vencedor do concurso Toque de Arte (papel de parede) realizado pela
Operadora de Telefonia Celular Claro - Mês de novembro/2006.

terça-feira, novembro 21, 2006

Sede

Publicado no Anuário Brasileiro de Artes Plásticas Vol. V - 2006

domingo, novembro 19, 2006

As musicistas

Exposto na mostra das Domingueiras no Shopping Barra em Salvador
janeiro e fevereiro/2006
Capa do folder do I Encontro de Cultura do Municipio de Caetité/2007